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Mantraste

Equilíbrios

Se nós dermos aquilo que nós queremos para nós ou que nós achamos o melhor, o melhor dos melhores, aquilo que nós gostamos mais de fazer, por vezes também falhámos. Falhámos, porque estamos demasiado distantes da realidade, então temos de entender as pessoas, temos de entender bem o que nos rodeia para conseguir “acertar na muche”. Ou seja, não vamos dar o que eles querem ver, vamos dar um bocadinho mais à frente. (…) E é uma situação onde ganham os dois. É um equilíbrio. Isso para mim é das coisas mais bonitas da ilustração.

Bruno Reis Santos, Mantraste, nasceu em 1988, é um autor, ilustrador e designer gráfico português formado na ESAD.cr. Cresceu na Natureza e é um amante do misticismo popular, conta com mais de uma centena de capas desenhadas para autores como J.G. Ballard, Ali Smith e Michel Rio entre outros e várias publicações editadas como a “Sebenta do Diabo” e “The spiritual ascension of all the animals”, etc. Para além do trabalho regular como ilustrador, já deu aulas de ilustração e risografia no Brasil, Espanha e Portugal e conta com várias exposições individuais e colectivas. Vê o seu trabalho como uma forma de reflexão sobre si próprio e os outros.

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Hannah Stahulak

Getting Out of Your Own Way

Originally, Hannah was going to use the residency with L’Air Arts to inform her teaching practice of medical illustration. Paris is known for its interdisciplinary approach to the arts, and is a culture which appreciates the beauty and obscurity of medicine and the body. Since this research project has not yet come into fruition, Hannah’s artist talk focuses on the struggle of teaching people who don’t identify as creative how to ‘get out of their own way’.

She shows student work and shows how once her students shed their limiting beliefs of themselves they were able to create beautiful things. In the end she briefly goes over a few techniques to get rid of blocks that face anyone pursuing a creative endeavor. 

Hannah Stahulak
American University of Health Sciences

Hannah lives and works in Los Angeles, California. Her artwork looks at the human form and focuses on the interior, allowing for each drawing to reflect the uniqueness and individuality of each human. Hannah is also a professor of medical illustration at the American University of Health Sciences, and teaches yoga. 

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António Jorge Gonçalves

Desenhos efémeros


Excertos de uma conversa de António Jorge Gonçalves com Anabela Mota Ribeiro acerca do trânsito do seu trabalho de papel – ilustração e banda desenhada – para os espectáculos de desenho digital ao vivo.

António Jorge Gonçalves

Nasceu  e vive em Lisboa. Estudou Design de Comunicação na ESBAL em Lisboa e Theatre Design na SLADE em Londres. Tem criado, a solo e com outros escritores, livros onde texto e imagem se relacionam de forma íntima e experimental. Fez direção visual em peças de teatro. Concebeu um método de Desenho Digital em Tempo Real e manipulação de objectos em Retroprojector que tem utilizado em espectáculos com músicos, actores e bailarinos. Com o projeto Subway Life, percorreu o mundo desenhando pessoas no Metro. Publicou semanalmente cartoon político nas páginas do Inimigo Público (jornal Público) entre 2003-2018, tendo sido distinguido no World Press Cartoon e visto os seus desenhos serem publicados no Le Monde, Courrier Internacional e em colectâneas internacionais. Foi distinguido em 2014 com o Prémio Nacional de Ilustração (DGLAB) pela obra Uma Escuridão Bonita. Foi docente no Iade, Restart, Universidade Nova de Lisboa, Universidade Autónoma de Lisboa e na Faculdade de Belas Artes de Lisboa. Integrou o projecto pedagógico 10×10 da Fundação Calouste Gulbenkian, como artista formador.

www.antoniojorgegoncalves.com

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Joana Patrão

Como desenhar o mar: a linha enquanto vestígio de um movimento ondulatório


Da questão “como desenhar o mar?” surge um conjunto de explorações: propostas de encontro entre a linha e a onda, modos de produzir e incorporar a fluidez no desenho.

Abordam-se vários meios de encontro com o mar, evocando diferentes temporalidades, diferentes níveis de presença.

Numa primeira parte, são apresentadas 4 breves abordagens: (1) a tentativa de correspondência da linha desenhada com a ondulação, num exercício mais fugaz que requer a presença do mar; (2) a experiência de análise do movimento ondulatório, recorrendo a uma relação em diferido com as ondas captadas; (3) a produção de desenhos a partir de pautas ou instruções elaboradas no ponto anterior; (4) o confronto entre as linhas gráficas e a ondulação própria do gesto.

Na segunda parte, aborda-se o processo de construção de um mar autónomo, assente no compromisso de desenhar um mar-diário.

Esta pequena apresentação reflecte acerca da capacidade da linha de captar e incorporar o movimento ondulatório, lembrando a sua condição de convenção, código do desenho, e simultaneamente vestígio corporal, identificativo do gesto de quem desenha, ou seja, como um reflexo das suas ondulações.

Este artigo encontra-se disponível em https://hdl.handle.net/10216/90608 – Dissertação de Mestrado: “A Paisagem enquanto experiência. Mar: Imersão e Viagem” – subcapítulos 3.3. Cadernos de viagem. A linha fluida. e 4.1. A linha na continuação do movimento ondulatório.

Bibliografia

Berger, John.; Savage, Jim. (Ed.) (2008). Berger on Drawing. Aghabullogue: Occasional Press.

Butler, Cornelia .H. (ed.) (1999). After image: Drawing through process. Los Angeles: Museum of Contemporary Art.

Ingold, Tim. (2007). “Drawing, writing and calligraphy”. In Lines: A Brief Story, (pp.120-151). New York: Routledge.

Iversen, Margaret. (2012). “Index, diagram and graphic trace: Involuntary Drawing”. Tate Papers, 18 (Autumn). Acedido a 20 de Janeiro de 2015 em http://www.tate.org.uk/research/publications/tate-papers/index-diagram-graphic-trace

Krčma, Ed. (2010). “Cinematic Drawing in a Digital Age”. In Tate Papers, 14 (Outubro), Acedido a 15 de Janeiro de 2015 em http://www.tate.org.uk/research/publications/tate-papers/cinematic-drawing-digital-agePetherbridge, Deanna. (2011). The primacy of drawing: histories and theories of practice. London: Yale University Press.

Joana Patrão (n. 1992, Barcelos), artista plástica, vive e trabalha no Porto. A sua investigação incide na Paisagem, pensando-a simultaneamente como sintoma do conflito natureza-cultura e processo potencial de reencontro. A sua prática oscila entre desenho, fotografia, vídeo, matrizes, provas indexicais e matérias naturais na procura um modo de investigação mutável em si mesmo. Como parte dessa investigação concluiu o Mestrado em Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com “A Paisagem enquanto experiência. Mar: Imersão e Viagem” (2016). Enquanto bolseira Erasmus+ frequentou, em 2015, a Aalto University, Helsínquia/ Espoo, Finlândia e foi selecionada para o workshop internacional “Adaptations – Utö. Site, Stories and Sensory Methods”, promovido pelo HIAP, na ilha de Utö, Finlândia. Participou ainda nas residências artísticas: “Feinprobe Honigsüss 7” (2014), Wbmotion, Wittenberg, Alemanha; “Laboratórios de Verão” (2017), gnration, Braga; “Grão: residência artística e de investigação” (2019), Quinta das Relvas, Albergaria-a-Velha.

Das suas exposições mais recentes, destaca a participação no ciclo de exposições online 4 + 4 proposals for making sense of today’s convivial cultures com o projeto “Becoming: meditations” (2020), curadoria de Maria Eduarda Duarte, para o 4Cs – From Conflict to Conviviality through Creativity and Culture; as exposições individuais: “Céu de sal, sal da terra” (2020), com curadoria de Luísa Santos, no Lab Box – Art Curator Grid, Lisboa; “Desenho natural. A água flui na linha.” (2019), Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende, Gondomar; e as coletivas: “Como o sol / Como a noite” (2018), curadoria de Alexandra João Martins, oMuseu – FBAUP, org. do Porto/Post/Doc, por ocasião da retrospetiva integral da obra de Reis/Cordeiro; “Incerta Desambiguação / Catarse” (2017), curadoria de Cristina Assunção e Jorge Maciel, Galeria Zaratan, Lisboa; “Immersion” (2015), ADD.Lab, Espoo, Finlândia.

Paralelamente, dedica-se à formação e mediação artística em locais como a Universidade do Porto e a Fundação de Serralves. Em 2018, orientou a unidade de formação Pintura de Paisagem – da experiência da natureza à construção pictórica, no âmbito da oferta formativa promovida pelo Gabinete de Formação Contínua da FBAUP.

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Dilar Pereira

Desenho com luz e transmutação


A partir de meados da segunda metade do século XX, o espaço da ação do desenho modificou-se e, em especial, na década de 1970, alguns artistas desenvolveram práticas que colocaram novos desafios em termos de pensamento e perceção, movendo-se numa oscilação entre as duas e as três dimensões. No campo do desenho emergiram várias linhas de experimentação, que contribuíram para a ideia de transposição, transmissão e hibridação, que hoje vemos presente no seu campo e que nos fez repensar as suas definições. Algumas dessas práticas desenvolveram um trabalho com luz, em que o desenho se forma conceptualmente no espaço tridimensional, constituindo um desafio à perceção das obras, em muitos casos, instalações de grande escala. Estas, além das pertinentes interpelações que suscitam em relação à ontologia do desenho, colocaram também o espectador a olhar para si próprio, ou a sentir-se a olhar. Pelas particularidades do meio empregue – a luz – estas obras alteraram as condições de perceção e receção. Exemplos, as práticas de artistas como Anthony McCall (1946-), James Turrell (1943-), Adam Baker-Mill (1940-), Olafur Eliasson (1967-), entre outros. Relativamente às condições de perceção, ao utilizar a luz para desenhar no espaço estas criações podem suscitar situações visuais aparentes, até misteriosas, ou conduzir a situações de sublimação, aspetos fascinantes que nos atraem no trabalho destes artistas. Por isso, e pelas interrogações que este processo convoca a respeito do desenho, para esta intervenção de cinco minutos, tomamos por escopo o tema do desenho com luz e transmutação.

Além da investigação teórica em curso, partimos de um projeto pessoal, uma prática experimental que interroga a natureza do desenho e as relações com o pensamento, a perceção e a fisicalidade do processo. Iniciado com Infinite Space, 2015-2018, o projeto teve vários desdobramentos (entre outros, Black Hole Colours, 2019, ou Play, 2020, sendo este o que serviu de suporte ao vídeo de 5 minutos de desenho). É um trabalho que não utiliza os meios tradicionais de desenho, e que explora a luz como meio de operar a ação de desenhar. Com a luz, desenha-se sobre a materialidade de objetos interpostos no espaço, explorando desdobras do pensamento e do material. Assim, emerge uma forma conceptual de desenho no cruzamento entre o bidimensional e o tridimensional, que se revela numa inusitada materialização derivada das particularidades que o meio oferece, no caso, a luz.

Da mesma forma como se utiliza o lápis, exercendo mais ou menos pressão para acentuar, saturar ou atenuar as marcas, exploram-se os efeitos de proximidade e afastamento da fonte de luz em relação ao objeto, a sua inclinação e ângulo de incidência, para produzir diferenças de tonalidade, sombras e volumes, linhas e planos, os quais fazem revelar o desenho. Em paralelo, o processo de registo que condensa o desenho numa nova materialidade, age sobre a visualidade pela capacidade de interseção e focagem da luz. Estas duas operações tornam-se possíveis pela agência do corpo total – físico e mental –, na tomada de decisões, evidenciando o sentido háptico, que é, no desenho, uma das suas características distintivas. No conjunto criam-se visualidades aparentes que transmutam a identidade da forma original.

Além de instrumento para pensar, o desenho com luz, construído visualmente no espaço, transubstancia-se numa atmosfera de planos, volumes, geometrias. Traduzido numa escrita de luz e de sombra, o desenho proporciona uma experiência sensitiva de sublimação, capaz de ultrapassar a dimensão da matéria, aspeto fascinante, que constitui um desafio à perceção, e modifica a experiência do olhar. Por fim, adquire uma nova materialidade numérica, definida por zeros e uns, que utilizamos nos vários dispositivos de armazenamento, visualização ou projeção, que o preserva e dá a ver, numa ampliação (zoom) infinita, tal como a possibilidade revelada no vídeo “5 minutos de desenho”.

ESTE TRABALHO É FINANCIADO POR FUNDOS NACIONAIS ATRAVÉS DA FCT – FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA, I.P., NO ÂMBITO DO PROJETO “UIDB/04042/2020”

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Matthew Brehm

Observational Drawing: Creating a Graphic Palimpsest of the Mind


The way designers experience the world – and, by extension, the way we accumulate design experiences – results in a palimpsest of the mind. As time moves along and we come to know our immediate surroundings more intimately, as we travel to far-flung points on the map and attempt to learn about the design of the built environment, it’s only to varying degrees that we’re able to recall our experiences in images, ideas, and stories. Our more recent and significant experiences have a tendency to overlap or obscure previous and less meaningful experiences. But it’s rare that we completely lose touch with a truly consequential design experience. Its traces will remain, though perhaps growing faint with the passage of time, like the traces of previous writings on parchment – a palimpsest.

During the process of design, we’re apt to draw upon our reserve of design experiences, with some being more readily accessible than others. Our minds translate what we’ve known and experienced into ‘what will be’ through the act of design and drawing, sometimes overtly and other times in more subtle ways. What is called invention or originality is often merely the reconfiguration of pre-existing design strategies. In most design situations, we’re drawing on what we know – or, at least, what we can remember about what we know. So it’s important to understand how we best acquire and retain information garnered from design experiences.

The most effective way to imprint design ideas in our minds – to strengthen the many layers of the palimpsest – is to draw what we see and experience. Not for the sole purpose of having a written and graphic record, though this clearly has its benefits, but rather for the learning that occurs while the drawings are being made. Drawing from observation is a powerful means to imprinting design experiences on the mind (as memory) and on the psyche (as experience). Having the physical sketchbook as a reference can certainly assist in the long-term process of repetitious study, but much of the deeper, more meaningful learning happens in the act of drawing. Ultimately, students and practitioners who draw regularly from observation in their sketchbooks have a more robust, accessible, and momentous reserve of design experiences from which they can derive new formulations for their work.

This paper explores the cognitive processes of drawing from observation, and how these processes can create a treasure-trove of design knowledge and experience, a graphic palimpsest of the mind.

Matthew Brehm is a Professor of Architecture at the University of Idaho, and has been a correspondent for Urban Sketchers since May 2009. He received degrees in architecture from the University of Notre Dame and the University of Oregon, and has been teaching architectural design with an emphasis on freehand sketching since 2000. Each year since 2007, he has led a 2- to 3-month architecture program in Rome, Italy, with one of the courses being entirely focused on sketching on location. He has been a workshop instructor at six Urban Sketchers International Symposia, in Portland, Lisbon, Barcelona, Paraty, Singapore, and Porto, and was one of the founding members on the non-profit organization’s board of directors. Matt’s sketches have received several awards at the Design Communication Association’s Biannual Juried Drawing Exhibit and he has received three Awards of Excellence for his observational drawings from the American Society of Architectural Illustrators. Matt is also the author/illustrator of three books on drawing techniques: “Sketching on Location,” “Drawing Perspective: How to See It and How to Apply It” (available in 10 languages), and “Draw Cities and Buildings in 15 Minutes” (available in English, Dutch, Norwegian, and Italian).

ESTE TRABALHO É FINANCIADO POR FUNDOS NACIONAIS ATRAVÉS DA FCT – FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA, I.P., NO ÂMBITO DO PROJETO “UIDB/04042/2020”

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Yen Ha

Fragmented Moments of Drawing


Yen is an architect, artist and writer. Born in Saigon, she lives in New York City, where she co- founded Front Studio, an architecture firm. Fluent in French and Vietnamese, she holds an architectural degree from Carnegie Mellon University, followed by post-graduate work at L’École d’Architecture in Paris. Her short stories were finalists in Glimmertrain’s New Writers Contests and the New Rivers Press American Prize, and appear in Waxwing, Crack the Spine and Hypertext. Yen has been awarded residencies by the Banff Centre for Arts and Creativity, MASS MoCA and L’AiR Arts. A selection of her drawings are available through 20×200 and Goods for the Study. She is a current artist-in-residence with the Trestle Art Space.

The passage of time in drawing can be experienced as a layering of moments, one stroke upon another, until reaching a completed state. In this work I explore the passage of time as fragmented moments of drawing, assembled to create a body of work which is then physically disseminated into the world as separate parts. Without any guarantee that the works reach their intended destination, the act of mailing the drawings can result in the stretching of time as each piece relies on domestic and international postal systems to arrive, or not arrive, remaining suspended in time indefinitely. The recipients, often unknown to one another, become part of a community of works, each holding a fragment of creation. The pieces themselves take advantage of mistakes in ink flow or accidental markings. The drawings touch the edges of the canvas, as if to reach out to its fellow neighbors, despite each piece being distinct from one another. Stemming from the serendipity of chance marks and working in stolen moments of time, the works express a sense of community by connecting strangers through art.

Hi my name is Yen Ha. I’m an artist practicing in New York City and the work I’m presenting today is called Fragmented Moments of Drawing. The passage of time in drawing can be experienced as a layering of moments, one stroke upon another, until reaching a completed state. In this work I explore the passage of time as fragmented moments of drawing, assembled to create a body of work which is then physically disseminated into the world as separate parts. Without any guarantee that the works reach their intended destination, the act of mailing the drawings can result in the stretching of time as each piece relies on domestic and international postal systems to arrive, or not arrive, thus remaining suspended in time indefinitely. The recipients, often unknown to one another, become part of a community of works, each holding a fragment of creation. The pieces themselves take advantage of mistakes in ink flow or accidental markings.

The pen moves throughout the page without hesitation because there is no wrong or right way to draw. The drawings can touch the edges of the canvas, as if to reach out to its fellow neighbors, despite each piece being distinct from one another. Stemming from the serendipity of chance marks and working in stolen moments of time, the works express a sense of community by connecting strangers through art. Working through this type of fragmented manner of drawing provides a space of freedom for experimentation. Coupled with the serendipity of stray marks or ink blots, the pieces take on various forms from landscapes to floral compositions. The inconsistency of the paint pens means they do occasionally explode, which, in addition, to not wanting to waste the split ink, becomes a genesis point for a new drawing. Or in this case, series of drawings. Each accidental moment becoming something new. I often draw in scattered bits of time, a handful of gestures here, a dozen strokes there.

Sometimes I might stop and react to something else that is happening in my world. These two drawings are the continuation of an exploration into hard and implied edges, directly related to work I made for the Black Lives Matter movement. Working in fractured bits of time throughout the day means that when I can sit down to draw I have the opportunity to capture the mood of the moment whether it’s the the smooth fluidity of lines pulled to one another or the point counterpoint of a stipple. When I’m ready to send out the cards, I turn them over before addressing them. Which means that I don’t even know which recipient will receive which card. To date I have sent 85 cards. I have received 47 confirmations that they have arrived at their intended destinations.

On average it took 28 days for a card to arrive, though this card to London took 15 while this card to Burlington 29. Lyon 44 days. Miami 47 days. In New York City it took 28 days to travel 7 blocks up Broadway and 49 to travel another 17.


ESTE TRABALHO É FINANCIADO POR FUNDOS NACIONAIS ATRAVÉS DA FCT – FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E A TECNOLOGIA, I.P., NO ÂMBITO DO PROJETO “UIDB/04042/2020”

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Sandra Ramos

Auto-retrato como prática meditativa – olhar e ver


Sandra C Ramos, Moçambique, 1974. Portugal a partir de ’76. Realização de Filmes de Animação, La Poudrière – École du Film d’Animation, 2003. Design de Equipamento, Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL), 2000. Desenho, Sociedade Nacional de Belas Artes, 1995-1998. Realização de várias curtas de estudante e profissionais, duas das quais presentes em festivais nos seis continentes. Professora e formadora em animação e desenho desde 2004, em ensino universitário, profissional e de nível aberto. Fundadora e professora de Desenho e Pintura no Atelier do Cardal, 2010-2018. Representada em colecções particulares – Desenho e Pintura – Europa, América do Norte e Ásia. Doutoranda em Belas Artes, especialidade de Desenho.

Tal como para milhões de pessoas, o ano de 2020 não está a decorrer como eu havia planeado… O confinamento e o distanciamento forçado junto com suas medidas de protecção, trouxeram desafios inesperados e, após um curto período de pânico, assumi a responsabilidade de os viver como oportunidades de mudança.

Sendo professora, quis motivar os estudantes a fazer o mesmo e estruturei um projecto de auto-retratos em confinamento, no qual participaríamos estudantes e professora – não sendo obrigatório, apenas alguns estudantes responderam positivamente, mas fizeramno com entusiasmo. Da minha parte, fi-lo como uma prática meditativa, suspendendo o julgamento e deixando-me ser guiada pelo processo. O que começou como um projecto de auto-retratos (estáticos), tem vindo a evoluir para um trabalho de animação experimental.

Um caminho que me levou do domínio da tensão sentida a uma presença consciente e conectada, de constrangida a deixar-me ser guiada pelo que queria emergir, caindo mais a mais fundo num espaço-tempo de desenho meditativo. O foco foi deixando de estar no objecto do meu olhar para recair no como estava a olhar e o que estava a ver, para além do olhar. Este é um trabalho em curso, tecido com desenhos e leituras sobre filosofias não-duais, desenho e animação, que me está a possibilitar ir além da busca por resultados específicos e do simples olhar. Como escreve Lucy Lyons [1] “Drawing allows us to look and then see what we are looking at and with that activity comes understanding.” O tempo envolvido num desenho convida observador e objecto de observação para uma relação, onde há verdadeiramente troca, de acordo com a mesma autora.

Sandra C Ramos, Mozambique, 1974. Portugal from ’76. Animation Direction, La Poudrière – École du Film d’Animation, 2003. Equipment Design, Fine Arts Faculty of the Lisbon University (FAF-LU), 2000. Drawing, National Fine Arts Society, 1995-1998. Directed several student and professional shorts, two of which were selected in festivals across the six continents. Animation and Drawing teacher since 2004, at university, professional and open levels. Founder and teacher (Drawing and Painting) of Atelier do Cardal, 2010-2018. Represented in private collections – Drawing and Painting – Europe, North America and Asia.
PhD candidate – Fine Artes – specialising in Drawing, FAF-LU

Title: Self-portrait as a meditative practice – to look and to see

“I believe in the World as in a daisy Because I see it. But I don’t think about it Because thinking is not understand… The World was not made for us to think about (To think is to be eye-sick) But for us to look at and to be in tune with…” Alberto Caeiro in The Keeper of Sheep (II) (transl. by Edwin Honig and Susan M. Brown)

As for millions of people, 2020 is not happening according to my plans… The confinement and forced distancing and protection measurements brought unexpected challenges and, after a period of panic, I took it up to me to live them as opportunities for change. Being a teacher, I wanted to motivate students to do the same and came up with a confinement self-portrait project that we’d respond to together – it was not mandatory, so only some of the students responded, but did so with enthusiasm. I took it as a meditative practice, suspending judgment, letting myself be led by the process. What started as a (static) self-portrait drawing project has now evolved into an experimental animation work in progress. It is about what took me from one thing to the next and the ‘findings’ in the process that I will write about.

A path from dominating tension to overall awareness and connection, from being quite self-conscious to letting myself be guided by what wanted to emerge, going deeper and deeper into meditative drawing. No longer so much about what I was looking at, but rather how I was looking and what I was seeing. This is a work in progress, intertwined with readings on non-dual philosophies, drawing and animation, which is allowing me to go beyond the search for specific results and simple look. As Lucy Lyons [1] (p. 76) writes “Drawing allows us to look and then see what we are looking at and with that activity comes understanding.” The time involved in a drawing invites both observer and observed into a relationship, where there is true exchange, according to the same author. [1] Lyons, Lucy (2012). Dignity: Drawing Relationships with the Body in Representações do Corpo na Ciência e na Arte (Org. Cristina Azevedo Tavares). ISBN 978-972-754-290-1. Lisboa: Fim de Século.


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Aline Basso

Im[per]manências…


Aline Basso – Instituto de Cultura e Arte / Universidade Federal do Ceará Doutora em Belas Artes na especialidade Desenho, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, em Lisboa, Portugal (2020). Mestre pelo Programa de Pós-graduação em Artes Visuais, UFPB/UFPE (2014). Pós-graduada em Artes Visuais: Cultura e Criação pelo Senac (2011). Graduada em Tecnologia em Design de Interiores pelo CEFET-PB (2004).

Atualmente é professora efetiva do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará – ICA/UFC. Atua na graduação em Design-Moda, na unidade de Linguagem Visual. Possui experiência profissional e de ensino nas áreas de desenho, artes visuais, moda e design de produto.

Esta apresentação consiste numa breve síntese do processo artístico realizado ao longo do desenvolvimento da tese de doutoramento: “Im[per]manências: estudos sobre desenho à luz dos manuais de pintura Chineses”. De caráter teórico-prático, o doutoramento desenvolveu-se na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, e teve como ponto de partida o conceito de impermanência. Toda
a investigação alicerçou-se sobre os escritos de dois antigos manuais de pintura Chineses, e as reflexões tanto teóricas quanto artísticas tiveram como suporte estudos sobre desenho, pintura Chinesa, Budismo e Taoísmo.

Os desenhos apresentados são o resultado dessa imersão e apontam os caminhos percorridos ao longo do processo.

Abstract: This presentation consists of a brief synthesis of the artistic process carried out during the development of the doctoral thesis: “Im [per] manences: studies on drawing in the light of Chinese painting manuals”. Theoretical-practical, the doctorate was developed at the Faculty of Fine Arts of the University of Lisbon and had as its starting point the concept of impermanence. All research was based on the writings of two ancient Chinese painting manuals, and both theoretical and artistic reflections were supported by studies on drawing, Chinese painting, Buddhism and Taoism.

The drawings presented are the result of this immersion and point out the paths taken along the process.


Literatura recomendada:

Ryckmans, P. (2010). Anotações sobre pintura do Monge Abóbora-Amarga. Campinas, SP: Editora da Unicamp.
Cheng, F.(2016). Vacío y plenitud. El lenguage de la pintura china. Madrid: Ediciones Siruela.
Sze, M.-M. (trad.). (1963). The Mustard Seed Garden: Manual of Painting. New York: Bollingen Foundation. Princeton: Princeton University Press.

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Hugo Passarinho

Desenho Habitado. Novas direcções. A prática do desenho de exploração no século XXI.
O caso do desenho em realidade virtual.

Autor principal: Hugo Passarinho (Universidade de Lisboa Faculdade Belas-Artes,CIEBA) Outros autores: Henrique Costa (Universidade de Lisboa Faculdade Belas-Artes,CIEBA)

A comunicação proposta é parte integrante da tese de doutoramento em curso sob o nome : Alegorias – Projecto didático original de desenho e animação em realidade virtual.

Ela compreende uma dimensão lateral da investigação, que se relaciona com a vertente didáctica e prática do desenho, na sua dimensão artística, quanto à sua execução em ambiente de
realidade virtual. Procurará estabelecer um território comum de entendimento desta prática, tendo em conta a dicotomia do que é real/virtual – efémero/perene -etéreo/concreto presentes no meio. Ao mesmo tempo pretende explorar teoricamente os possíveis limites do meio e descrever a potencial geografia de contágio da produção na realidade virtual na realidade em si.
Para tal faremos uso das noções de presença; incorporação e agência que determinam a “existência” e desde logo acção na realidade virtual.

Em consequência desta definição, abordaremos a imersão como dinamizador do meio. Será observada a prática em realidade virtual de artistas reconhecidos pelo seu trabalho realizado com outros meios artísticos, anotando, quando existentes as relações das diferenças que o meio
impõe sobre o trabalho em si. Procura-se reforçar o caso através de uma análise focada, tendo como ponto de partida a prática do autor dos meios analógicos ou digitais/ bidimensionais para o meio da realidade virtual com trabalho executado nos dois meios.
Mais informações sobre este projecto disponíveis em :
https://duck-cat-sr5l.squarespace.com/phd-hp

Inhabited Drawing.
New directions. The practice of exploration drawing in the 21st century. The case of drawing in virtual reality.

Main author: Hugo Passarinho (Universidade de Lisboa Faculdade Belas-Artes,CIEBA) Other authors: Henrique Costa (Universidade de Lisboa Faculdade Belas-Artes,CIEBA)

The proposed communication is part of the ongoing doctoral thesis under the title: Allegories – Original didactic project of drawing and animation in virtual reality.

It comprises a lateral dimension of the investigation, which is
related to the didactic and practical aspect of drawing, in its artistic dimension, regarding its particular execution in a virtual reality environment. It will seek to establish a common territory for understanding this practice, taking into account the dichotomy of what is real/virtual – ephemeral/perennial – ethereal/concrete, present in the said environment. At the same time, it intends to explore theoretically the possible limits of the medium and describe potential geography of contagion between the artistic production in virtual reality and reality itself.

For this, we will make use of the notions of presence; incorporation and agency that determine “existence” and immediate action in virtual reality. As a result of this definition, we will approach immersion as a powerful force that consolidates the environment. It will be observed the practice in the virtual reality of artists recognized for their work done with other artistic means, noting, when existing, the different relations that the medium imposes on the work itself. It seeks to reinforce the case through a focused analysis, taking as a starting point the practice of the author´s work performed in both media in analog or digital/two-dimensional media versus the virtual reality medium.

More information about this project available at :
https://duck-cat-sr5l.squarespace.com/phd-hp

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